Nos Trilhos da Vida – Parte 3
outubro 1, 2009 por Adilson Costa
Arquivado em Contos, Destaques
… tudo que eu via,
tudo que eu sentia começava a fazer sentido,
sentia a felicidade dos outros,
sentia a tristeza e outros sentimentos.
Sabia que era uma jornada,
tinha que estar preparado,
tinha que estar pronto para sentir mais,
queria sentir e entender,
encontrei pessoas,
encontrei estranhos e conhecidos,
tudo era válido,
comecei a ler em minha poltrona,
lia sobre a vida,
sobre contos e mentiras,
ria, chorava e absorvia.
O trem continuava sem parar,
muitas pessoas não faziam nada,
somente dormiam em suas poltronas,
outras não conseguiam ficar paradas,
estavam sempre em movimento e
eram sempre requisitadas em outras
poltronas.
Eu queria percorrer outros vagões desse trem,
mas tinha medo, tinha receio de me perder,
andava somente pelo vagão onde estava minha poltrona,
pois quando me afastava ainda conseguia ver
onde estava meu número.
Olhava pela janela,
contemplava tudo,
ficava horas olhando e imaginando,
dentro de mim criavam expectativas,
criavam sonhos,
agora não são sonhos de criança,
pois já me sentia diferente.
Depois de algum tempo,
criei coragem,
disse a mim mesmo que iria conhecer outros vagões,
e em um lindo dia me levantei e fui,
curiosidade,
tudo diferente,
pessoas diferentes,
gestos e gostos que eu não conhecia,
tinham cheiros ruins,
tinham pessoas ruins,
e em algumas janelas desse vagão,
a paisagem não era tão bela quanto a de outras,
algumas tinham nuvens negras passando,
outras via escuridão,
tive medo,
tive receio de não conseguir voltar
ao meu vagão e à minha poltrona,
passara-se muito tempo e então resolvi voltar,
olhei para os lados e não sabia para onde ir,
até que …..
Continua em breve….
Por: Adilson Costa
Nos Trilhos da Vida – Parte 2
setembro 25, 2009 por Adilson Costa
Arquivado em Contos, Destaques
Continuando leia a parte 1 ….
… apesar de não concordar com o funcionamento
deste trem, fui obrigado a me adaptar ao sistema.
Percebi que iria crescer aos poucos,
percebi que precisava de uma base,
precisa saber para onde iria e porque iria.
Ninguém me dizia nada sobre o caminho,
a maioria das pessoas desse trem,
apesar de terem mais anos de trilhos que eu,
também eram conduzidas,
não tinham o controle e tão pouco conhecimento sobre o caminho,
estava eu rodeado por pessoas mais velhas,
que me diziam o que era certo ou errado,
mas eles sabiam tanto quanto eu, ou seja nada!
Até então eu ainda queria controlar a locomotiva,
queria ter controle da sua direção,
e novamente me surpreendi pois,
essa máquina na qual fomos inseridos
é incontrolável, não existe uma formação
para condutores e tão pouco um manual de uso.
Meu mundo se resumia ao que eu podia ver
de minha simples e inconfortável poltrona.
Já que meu mundo era aquele pequeno espaço,
comecei a prestar atenção nos passageiros,
a olhar suas posturas,
seus olhares,
e vi que tinha muitas atividades dentro desse pequeno
mundo sobre os trilhos.
Via pessoas sorrindo em poltronas mais simples que a minha,
via pessoas chorando em poltronas super macias e de couro,
via crianças brincando com caixas de fósforo no corredor do trem,
via também outras crianças com lindos brinquedos chorando
pois não queriam aqueles brinquedos e sim outros melhores.
Pessoas de idade contando vantagens de situações que viveram no passado,
eu comecei a me apaixonar por essas experiências e até
me esqueci da locomotiva que estava me levando para algum lugar.
Alguns passageiros brigavam por não terem sidos atendidos quando chamaram,
mulheres choravam de saudades de alguém.
Vi pessoas escondendo algo sob o paletó para que ninguém visse, tinham também
pessoas que subiam nas poltronas e gritavam, cantavam e falavam alto
chamando atenção de todos, alguns ouviam outros passavam ao lado, ao
final de sua gritaria eles pediam dinheiro não sei para o que.
Dias e dias se passaram e eu finalmente estava gostando do trem,
poucos dias atrás eu queria pular pela janela, agora eu tinha algo
que me interessava de verdade,
comecei a prestar atenção nas pessoas e….
: Adilson Costa
Continua em breve
Nos Trilhos da Vida – Parte 1
setembro 24, 2009 por Adilson Costa
Arquivado em Contos
Quando eu era pequeno,
tinha pequenos problemas e os achavam enormes,
tinha pequenos sonhos e os achavam gigantes,
um dia o trem da vida passou e me levou,
começara minha jornada pelo conhecimento humano,
pelos trilhos da decepção,
pelas alegrias das curvas e
as surpresas dos campos verdes.
Não fazia parte dos meus planos conhecer e não entender,
poucos acertos e muitos enganos,
mas não tem volta,
uma vez dentro desse trem temos que crer,
temos que tentar entender os outros.
Fui crescendo e percebendo que não havia
ponto de parada.
Não havia estação e o sinal de emergência não funcionava.
Alguns passageiros desse trem me diziam:
“Fique calmo estamos ao seu lado vamos te ajudar!”
Mentiras e mais mentiras,
na quase totalidade das vezes cada qual se preocupa
com sua poltrona e com seu ponto de parada,
cada um quer seguir o seu próprio caminho,
não querem ajudar e finalmente descobri que estava sozinho.
Percebi que eu não tinha o conhecimento e que,
outras pessoas desenhavam a minha rota,
percebi que eles guiavam minha vida,
eu não tinha controle sobre mim.
Sem conhecer a estrada que vinha,
não tinha o que fazer depois,
não conhecia os trilhos,
não conhecia como a locomotiva funcionava,
e tão pouco como parar,
estava eu dentro dessa fornalha a vapor,
seguindo os trilhos da vida,
sem entender o sentido,
sem entender o porque isso acontecia,
como uma fruta que amadurece à força
eu estava sendo preparado para entender
como funcionam as coisas ….
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Por: Adilson Costa
Leia também – Nos Trilhos da Vida – Parte 2









