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Sexta, 01 Mai 2026 07:47

Investigação aponta saques de R$ 720 mil e ligação de empresário com irmãos Nascimento

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A Operação Emenda Oculta revelou um suposto esquema de circulação de dinheiro em espécie envolvendo empresários, institutos e parlamentares de Mato Grosso. As investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPE) apontam que o empresário João Nery Chiroli, dono da Chiroli Esportes, realizou três saques que somaram R$ 720 mil em apenas 36 dias.

Segundo os autos, um dos episódios considerados mais relevantes ocorreu em 16 de dezembro de 2025. Após sacar R$ 350 mil em uma agência do Sicoob Integração, Chiroli teria entrado em um veículo atribuído ao deputado estadual Elizeu Nascimento (PL). A informação consta em decisão da desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, da Turma de Câmaras Criminais Reunidas.

De acordo com a magistrada, imagens internas e externas da agência bancária, somadas a dados de reconhecimento facial e monitoramentos presenciais, confirmariam a movimentação do empresário logo após o saque.

Outro fato investigado ocorreu em 21 de janeiro de 2026. Na ocasião, Chiroli sacou R$ 120 mil em espécie e seguiu para o Condomínio Florais Itália, em Cuiabá, onde, segundo o relatório, teria se encontrado com o vereador Cezinha Nascimento (PL), irmão de Elizeu. Para os investigadores, a situação reforça a suspeita de repetição do mesmo padrão operacional.

Além desses valores, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou ainda outro saque de R$ 250 mil em dezembro de 2025, totalizando R$ 720 mil retirados em dinheiro vivo no período analisado.

O Ministério Público afirma que os saques ocorreram poucos dias depois da liberação de aproximadamente R$ 2,8 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Instituto Social Mato-Grossense (Ismat) e ao Instituto Brasil Central (Ibrace), entidades investigadas no caso.

Conforme as apurações, os recursos públicos eram transferidos para a empresa Sem Limite Esporte e Evento Ltda., ligada a Chiroli. Depois disso, parte do dinheiro retornaria aos parlamentares responsáveis pelas emendas, segundo a linha investigativa do MPE.

A Operação Emenda Oculta é um desdobramento da Operação Gorjeta, que investigou supostos desvios de recursos públicos relacionados ao vereador Chico 2000 (PL).

Além de João Nery Chiroli, foram alvos da operação o deputado Elizeu Nascimento, o vereador Cezinha Nascimento, Samara Regina Lucas Barbosa, presidente do Ismat, Alex Jony Silva, presidente do Ibrace, e João Batista de Almeida e Silva, assessor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

A Justiça autorizou quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens e cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os investigados. Durante as diligências, policiais apreenderam cerca de R$ 200 mil em dinheiro na casa dos irmãos Nascimento, além de celulares, notebooks e documentos.

O MPE pediu o afastamento de Elizeu e Cezinha das funções públicas, mas a desembargadora rejeitou a solicitação. Em contrapartida, determinou medidas cautelares por 90 dias, incluindo a proibição de indicar emendas parlamentares e de manter contato entre os investigados.

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