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Mato Grosso contabilizou 328 casos de estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes entre janeiro e março de 2026, o equivalente a uma média de quatro vítimas por dia. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Mesmo com queda de 8,12% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 357 casos, os números ainda preocupam autoridades e entidades de proteção à infância. A taxa estadual chegou a 33,21 ocorrências por 100 mil habitantes, acima da média nacional, estimada em 22,82 casos por 100 mil pessoas.
As meninas seguem como as principais vítimas da violência sexual em Mato Grosso. Do total de registros no primeiro trimestre, 280 envolveram vítimas do sexo feminino, o que representa 85,3% dos casos. Já os meninos somaram 47 ocorrências, além de um caso sem identificação de gênero.
Março foi o mês com maior número de notificações, com 116 registros, seguido de janeiro, com 108, e fevereiro, com 104 casos.
Segundo especialistas e autoridades da área de segurança pública, grande parte dos abusos ocorre dentro do ambiente familiar ou é praticada por pessoas próximas da vítima, o que dificulta as denúncias e o rompimento do ciclo de violência.
O tema ganha ainda mais destaque neste mês com a campanha Maio Laranja, voltada à conscientização e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A mobilização busca incentivar denúncias e ampliar a rede de proteção às vítimas.
Um dos casos recentes que chocaram o estado ocorreu em Primavera do Leste. Um homem de 24 anos foi preso suspeito de estuprar e matar a enteada de apenas três anos. De acordo com as investigações, a criança apresentava sinais de violência sexual e o suspeito foi autuado por estupro de vulnerável com resultado morte.
Como forma de reforçar o enfrentamento ao problema, Mato Grosso sancionou recentemente a Lei nº 13.168, que institui a Política Estadual de Prevenção, Identificação e Coibição da Violência e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. A legislação prevê ações de conscientização, capacitação de profissionais e fortalecimento dos mecanismos de denúncia e proteção às vítimas.